22/04/09
A maior lavandaria de dinheiro do mundo ameaça falir
A Suíça tremula. Zurique alarma-se. Os belos bancos, elegantes, silenciosos de Basileia e Berna estão ofegantes. Poderia dizer-se que eles estão assistindo na penumbra a uma morte ou estão velando um moribundo. Esse moribundo, que talvez acabe mesmo morrendo, é o segredo bancário suíço.
O ataque veio dos Estados Unidos, em acordo com o presidente Obama. O primeiro tiro de advertência foi dado na quarta-feira.
A UBS - União de Bancos Suíços, gigantesca instituição bancária suíça - viu-se obrigada a fornecer os nomes de 250 clientes americanos por ela ajudados para fraudar o fisco. O banco protestou, mas os americanos ameaçaram retirar a sua licença nos Estados Unidos. Os suíços, então, passaram os nomes. E a vida bancária foi retomada, tranquilamente.
Mas, no fim da semana, o ataque foi retomado. Desta vez os americanos golpearam forte, exigindo que a UBS forneça o nome dos seus 52.000 clientes titulares de contas ilegais!
O banco protestou. A Suíça está temerosa. O partido de extrema-direita, UDC (União Democrática do Centro), que detém um terço das cadeiras no Parlamento Federal, propõe que o segredo bancário seja inscrito e ancorado pela Constituição federal.
Mas como resistir?
A União de Bancos Suíços não pode perder sua licença nos EUA, pois é nesse país que aufere um terço dos seus benefícios.
Um dos pilares da Suíça está sendo sacudido. O segredo bancário suíço não é coisa recente.
Esse dogma foi proclamado por uma lei de 1934, embora já existisse desde 1714. No início do século 19, o escritor francês Chateaubriand escreveu que neutros nas grandes revoluções nos Estados que os rodeavam, os suíços enriqueceram à custa da desgraça alheia e fundaram os bancos em cima das calamidades humanas.
Acabar com o segredo bancário será uma catástrofe econômica.
Para Hans Rudolf Merz, presidente da Confederação Helvética, uma falência da União de Bancos Suíços custaria 300 bilhões de francos suíços ou 201 milhões de dólares.
E não se trata apenas do UBS. Toda a rede bancária do país funciona da mesma maneira. O historiador suíço Jean Ziegler, que há mais de 30 anos denuncia a imoralidade helvética, estima que os banqueiros do país, amparados no segredo bancário, fazem frutificar três trilhões de dólares de fortunas privadas estrangeiras, sendo que os ativos estrangeiros chamados institucionais, como os fundos de pensão, são nitidamente minoritários.
Ziegler acrescenta ainda que se calcula em 27% a parte da Suíça no conjunto dos mercados financeiros "offshore" do mundo, bem à frente de Luxemburgo, Caribe ou o extremo Oriente.
Na Suíça, um pequeno país de 8 milhões de habitantes, 107 mil pessoas trabalham em bancos.
O manejo do dinheiro na Suíça, diz Ziegler, reveste-se de um caráter sacramental. Guardar, recolher, contar, especular e ocultar o dinheiro, são todos actos que se revestem de uma majestade ontológica, que nenhuma palavra deve macular e realizam-se em silêncio e recolhimento...
Onde páram as fortunas recolhidas pela Alemanha Nazi? Onde estão as fortunas colossais de ditadores como Mobutu do Zaire, Eduardo dos Santos de Angola, dos Barões da droga Colombiana, Papa-Doc do Haiti, de Mugabe do Zimbabwe e da Mafia Russa?
Quantos actuais e ex-governantes, presidentes, ministros, reis e outros instalados no poder, até em cargos mais discretos como Presidentes de Municipios têm chorudas contas na Suiça?
Quantas ficam eternamente esquecidas na Suíça, congeladas, e quando os titulares das contas morrem ou caem da cadeira do poder, estas tornam-se impossíveis de alcançar pelos legítimos herdeiros ou pelos países que indevidamente espoliaram?
Porque após a morte de Mobutu, os seus filhos nuncam conseguiram entrar na Suíca?
Tudo lá ficou para sempre e em segredo...
Agora surge um outro perigo, depois do duro golpe dos americanos.
Na minicúpula europeia que se realizou em Berlim, em preparação ao encontro do G-20 em Londres, França, Alemanha e Inglaterra (o que foi inesperado) chegaram a um acordo no sentido de sancionar os paraísos fiscais.
"Precisamos de uma lista daqueles que recusam a cooperação internacional", vociferou a chanceler Angela Merkel.
No domingo, o encarregado do departamento do Tesouro britânico, Alistair Darling, apelou aos suíços para se ajustarem às leis fiscais e bancárias europeias. Vale observar, contudo, que a Suíça não foi convidada para participar do G-20 de Londres, quando serão debatidas as sanções a serem adotadas contra os paraísos fiscais.
Há muito tempo se deseja o fim do segredo bancário. Mas até agora, em razão da prosperidade econômica mundial, todas as tentativas eram abortadas.
Hoje, estamos em crise.
Viva a crise!!!
Barack Obama, quando era senador, denunciou com perseverança a imoralidade desses remansos de paz para o dinheiro corrompido. Hoje ele é presidente. É preciso acrescentar que os Estados Unidos têm muitos defeitos, mas a fraude fiscal sempre foi considerada um dos crimes mais graves no país.
Nos anos 30, os americanos conseguiram laçar Al Capone.
Sob que pretexto? Fraude fiscal.
Para muito breve, a queda do império financeiro suiço!
21/04/09
Agostinho da Silva: qual o seu legado?
Filósofo, poeta, ensaísta, teólogo, fundador de universidades. Agostinho da Silva marcou o séc. XX português e o seu espírito livre continua a contagiar todos aqueles que se cruzam com a sua obra.
“O Legado de Agostinho da Silva: quinze anos depois da sua morte” foi o tema do colóquio que decorreu a 3 de Abril na Faculdade de Letras de Lisboa.
Agostinho da Silva faleceu a 3 de Abril de 1994 deixando ainda muita obra por publicar e divulgar.
A Associação Agostinho da Silva, organizadora deste colóquio, reúne professores e amigos do pensador português e tem como objectivo maior difundir a obra de Agostinho da Silva.
Assim, no final da tarde de hoje, o Portal Agostinho da Silva vai começar a disponibilizar gradualmente todas as obras do pensador, obra que vai também ser editada na totalidade pela Imprensa Nacional Casa da Moeda.
Agostinho, uma vida total
Em 1931 parte como bolseiro para Paris, onde estuda na Sorbonne e no Collège de France. Após o seu regresso em 1933, dá aulas no ensino secundário em Aveiro até 1935, altura em que é demitido do ensino oficial por se recusar a assinar a Lei Cabral, que obrigava todos os funcionários públicos a declararem por escrito que não participavam em organizações secretas (e como tal subversivas).
No mesmo ano, consegue uma bolsa do Ministério das Relações Exteriores de Espanha e vai estudar para o Centro de Estudos Históricos de Madrid. Em 1936 regressa a Portugal devido à iminência da Guerra Civil Espanhola.
Três anos depois, Agostinho dava início a uma actividade que marcaria a vida de muitos. Cria o Núcleo Pedagógico Antero de Quental e em 1940 publica “Iniciação: cadernos de informação cultural”.
No total 120 cadernos foram escritos e editados por Agostinho da Silva, entre 1937 e 1944. Mas seriam os cadernos «O Cristianismo», editado em 1943, e «Doutrina Cristã», 1944, que abriram um fogo-cruzado entre Agostinho, Igreja e Estado Novo.
Na sequência da polémica em torno desse texto (onde Agostinho dizia, por exemplo, que Deus não exige nenhum culto dos seus seguidores e defendia que toda a escola era um templo), Agostinho é preso pela polícia política em 1943.
Abandona o país no ano seguinte em busca de uma liberdade que não lhe era permitida no seu país: o destino foi a à América do Sul, passando pelo Brasil, Uruguai e Argentina.
Em 1947 instala-se definitivamente no Brasil, onde viveu até 1969. Fundou várias universidades, como a de Santa Catarina, onde estabelece também uma forte ligação com a população local, nomeadamente os pescadores. Dizia aprender tanto com eles como com os grandes filósofos. Em 1961 torna-se assessor para a política externa do presidente Jânio Quadros.
Agostinho regressa a Portugal em 1969, por altura da Primavera Marcelista. Dedicou-se a escrever e a leccionar em diversas universidades portuguesas, dirigindo o Centro de Estudos Latino-Americanos da Universidade Técnica de Lisboa, e assumido o papel de consultor do Instituto de Cultura e Língua Portuguesa (actual Instituto Camões).
Em Portugal, foram as “Conversas Vadias” que abriram a porta à maioria da população para o universo do professor Agostinho da Silva. Treze entrevistas que colocavam o professor frente a frente com personalidades como Maria Elisa, Herman José, Adelino Gomes ou Baptista Bastos colaram milhares à televisão.
Agostinho da Silva morreu aos 88 anos.
Links relacionados:
Saber mais sobre Agostinho da Silva...
"Conversas Vadias" e outros vídeos sobre Agostinho da Silva
Agostinho da Silva em debate 15 anos após a sua morte
Portal Agostinho da Silva
19/04/09
Star Wars na história da arte
Uma colecção óptima de obras de arte clássicas em que foram integradas personagens do Star Wars. Via somethingawful
18/04/09
O Poema da 'Mente'
Mente de corpo e alma, completamente.
E mente de maneira tão pungente
Que a gente acha que ele mente sinceramente.
Mas que mente, sobretudo, impunemente...
Indecentemente... mente.
E mente tão racionalmente,
Que acha que mentindo vida fora,
Nos vai enganar eternamente.

